Táticas femininas de guerrilha para discussões de relacionamento

Posted by Carlos Miranda

Papo de Homem


Táticas femininas de guerrilha para discussões de relacionamento

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por Paulo Henrique Martins
em 08/03/2011 às 8:21 | HumorListas e guias,Sexo
Ah, as mulheres! O que seria de nós – pobres homo sapiens ávidos produtores de testosterona – se não fosse por elas? Mulheres têm um poder fascinante sobre os homens, capaz de fazer até o mais másculo soldado espartano se derreter por um par de seios. Nenhum problema com isso. O problema está no fato delas saberem disso.
É da natureza feminina também a competitividade. Para elas, não basta estar certa: elas têm de provar que o cara está errado. E nós caímos feito patinhos. Não há nada mais chato do que discutir com uma mulher. No entanto, em qualquer relacionamento saudável – e especialmente nos relacionamentos mais patológicos – uma discussão, às vezes, é inevitável. As mulheres dependem disso, elas adoram discutir!
Minha hipótese é a de que elas precisam constantemente discutir para praticar. Até acho que elas desenvolveram entre si “A Grande Cartilha de Táticas Femininas para Discussões”, da qual trago os principais tópicos e ensinamentos usados pelas mulheres.
Noite em que o guia de táticas foi concebido

1. Faça parecer que você é Madre Teresa de Calcutá

Eu tive uma namorada que era absolutamente mestre nisso. Toda negação a um pedido ou convite era acompanhada de algum argumento (por vezes absurdo) tentando me convencer de que sua ação era única e exclusivamente para meu próprio bem.
Eu tenho certeza de que se algum mendigo fosse pedir dinheiro para ela na rua, ela responderia algo do tipo: “Não vou lhe dar, mas é porque eu quero que você sinta o prazer de ganhar seu dinheiro por esforço próprio!”.

2. Só entre nos jogos em que a vitória é fácil

Ou “Quando encurralada, desvie o assunto para discussões que você pode ganhar”. Isso geralmente acontece em discussões em que o cara tem razão. É por isso que as mulheres nunca esquecem nossos erros: elas precisam deles para usar como defesa pessoal em caso de necessidade.
Resultado: você constantemente se vê no meio de uma discussão antiga e não faz a mínima ideia do rumo que a conversa tomou para chegar até ali.

3. Chute as bolas dele no ringue emocional

Isso é uma sacanagem, mas todas fazem. Toda mulher conhece o homem sensível que se esconde por trás do ogro que tenta parecer. É lá que elas atingem.

4. Lembre-se que a vítima é sempre você

Não basta você estar sempre certa. O homem precisa estar sempre errado.
Cada mínimo desentendimento deve ter uma vítima e, para sua sorte, a própria sociedade sabe que uma figura imponente como a masculina dificilmente representa uma vítima tão bem quanto essa figurinha delicada e preciosa que você é. A não ser que você seja a Michelle Rodriguez. Aí não cola.
"Repete o que você disse, repete."

5. Faça-se de desentendida

Ou “Faça com que ele não entenda o que está havendo na discussão”.
Os homens têm uma capacidade natural de não entender merda nenhuma do que está acontecendo ao redor deles.
Tudo o que você precisa fazer é abusar desse defeito masculino e levar a discussão por caminhos tortuosos de forma que faltem argumentos a eles pelo simples fato de não entenderem o que diabos eles precisam argumentar.

6. Quando estiver perdendo, apele com várias abordagens

Se você estiver errada e não conseguir fugir, a) reclame de como ele sempre joga os erros na sua cara. “Você e essa mania de sempre jogar os erros na minha cara” é uma forma jogar no emocional [3] e se fazer de vítima [4] ao mesmo tempo. Genial!
Se você começar a se sentir encurralada, b) reclame da situação entre vocês e exalte como vocês não discutiam assim antigamente.
“Amor! A gente não discutia assim meses atrás! Olha o que está acontecendo com a gente” é uma forma de desviar do assunto [2] e jogar no emocional [3]. Além de você conseguir se fazer de vítima [4] pra finalizar.
Como última alternativa, c) tente pedir desculpas e dar o assunto como encerrado. “Tá bom! Você tem razão! Desculpa!” parece uma derrota, quando na verdade é uma forma de tentar fazer tudo voltar ao normal.
Nunca entendo o que elas fazem que a gente não consegue fazer a mesma coisa, mas sempre acabamos aceitando a desculpa e o assunto acaba morrendo, afinal, sempre que você tentar relembrar da discussão que ganhou, ela vai responder com um “De novo isso? Eu já pedi desculpas! Achei que esse assunto tinha morrido!”.
Como se portar diante das táticas femininas de guerrilha

7. Concorde ironicamente com ele

Cansou da discussão? Quer irritá-lo perigosamente? Concorde com o cara, mas faça isso de forma a deixar claro que você não concorda com ele.
Lembre-se de sair como vítima. [4] Explore expressões como “Você é sempre o senhor da verdade” ou “É claro que você sabe mais da minha vida do que eu!” e banhe seu tom de voz em um oceano de ironia enquanto diz “Você está sempre certo, lógico!”, mesmo que o cara esteja realmente sempre certo.
Use isso com cautela! É game over na discussão e irrita profundamente. Mantenha um sorriso na cara enquanto vê ele esmurrar a parede e esbravejar mais palavrões do que o Wanderley Luxemburgo no trânsito de Salvador.
Se as coisas saírem do controle, fuja gritando “Maria da Penha! Maria da Penha!”.
Agora veja em alguns exemplos meramente ilustrativos como elas usam como maestria cada um dos tópicos abordados. Numerei as táticas para facilitar o reconhecimento.

Caso 1: o ex-namorado

Você vê, no Facebook, uma foto dela – numa festa para a qual você não pode ir – suspeitamente abraçada com um ex-namorado.
— Precisamos conversar sobre essa foto.
— O que tem essa foto? [5]
— Como assim o que tem essa foto? Olha o jeito que você tá abraçada com ele!
— Ai, amor! Não tem nada de mais! Não acredito que você vai brigar comigo de novo sobre isso! Olha o que você está fazendo com nosso relacionamento! [3] Sempre brigas, brigas e mais brigas! [6b]
— Eu estou fazendo? Eu já te falei que não gosto do seu ex! Ele já tentou te beijar na minha frente!
— E o que você quer que eu faça? Ele me forçou à situação! [4]
— Ele te forçou a essa situação nesse abraço também?
— Não acredito que estou tendo essa discussão com você de novo! Você tá sempre implicando comigo! [4] Aconteceu a mesma coisa com o Marquinhos! [2]
— Não! Com o Marquinhos é totalmente diferente! Ele é um imbecil, até você concorda! E não faz sentido: eu nunca impliquei com você por causa do Marquinhos! [5]
— Então por que implica por causa do Leandro? [5]
— Porque… Porque eu não gosto do jeito que ele age com você… e essa foto…
— Amor, eu não tenho culpa do jeito que ele age comigo! [4] Essa foto não tem nada demais também… Você vai confiar em mim ou no que as pessoas vão te dizer? [3]
— Como assim? O que as pessoas vão me dizer? Ninguém me disse nada! Eu só vi a foto! [5]
— Só de ver a foto já estamos brigando! Vamos parar de briga, amor! Não gosto que isso aconteça com a gente! [3, 6b] Desculpa pela foto, tá? [6c]
— E você acha que eu gosto de ter que brigar por isso?
— Então não vamos brigar! Você me ama? [3]
— Lógico que amo! Você sabe disso!
— Então vamos deixar esse assunto pra trás e seguir nossa vida só nós dois! [6c]
"Não parece, mas é assim que está a mente dela."

Caso 2: A noite de poker

Você vai na casa do seu amigo jogar poker, da mesma forma que faz toda quarta-feira à noite.
— Então… Estou indo lá na casa do Renato jogar poker, tá legal?
— Ai amor de novo?
— É, doçura… Eu vou toda quarta-feira, esqueceu?
— Você vai pegar um puta trânsito pra ir pra lá! [1]
— Ah, mas isso não têm muito o que fazer, né?
— Ah, tem… Achei que a gente podia ficar junto hoje… Eles não podem sobreviver sem você só por uma semana?
— Eu tenho um combinado com o pessoal, amor.
— Só vai acabar perdendo mais dinheiro de novo… [1]
— Amor! Pokerzinho é sagrado! E no final a gente converte todo o dinheiro em bebida de novo mesmo!
— É… pra ficar bêbado e ligando pras suas periguetes de novo, né? [2]
— Como assim? Do que você tá falando? [5]
— Ah… já esqueceu da noite de ano novo? [5, 2]
— Quê? Você ainda vai falar de eu ter ligado pra Amanda? Era ano novo!
— Ah sim… E ainda faz isso na minha frente, só pra me provocar, né? [4]
— Como? Não acredito no que eu estou ouvindo… Não acredito que você vai brigar comigo ainda por causa da Amanda!
— Nem eu acredito! Nem eu! [4] A gente não era assim, amor… A gente não brigava toda hora… [6b] Parece que a gente tá se distanciando… Você não parece mais gostar de passar as noites comigo… [3]
— Como não! A gente se vê sempre!
— Sempre que você pode, né? Se você tiver que escolher entre me ver e ir jogar poker, vai preferir ir jogar com seus amigos… [4]
— Mas… Mas… Lógico que não… É que você sabe que eu tenho combinado…
— Tá bom! Não quero mais falar com você. Acho que a gente precisa conversar pessoalmente depois. [3]
— Não, escuta…
Garota desliga o telefone. Você decide passar na casa dela antes de ir jogar poker e acaba ficando por lá mesmo. Seus amigos não entendem como você pode trocar o poker da quarta por uma visita à namorada.

Caso 3: O programa

Você liga para combinar alguma coisa com ela…
— Alô, querida?
— Oi amor! Tudo bom?
— Tudo. Quer ir jantar alguma coisa e ir no cinema depois?
— Hmmm… Pode ser… O que você quer fazer?
— Ah… Tava pensando em ir no Outback ou comer uma pizza e depois a gente podia assistir “Machete”!
— Ai, amor! Machete? Ouvi falar que esse filme é babaca e machista! Aposto que a gente vai se divertir mais assistindo outra coisa [1]
— Hmmmm… o que você sugere?
— Ah, eu queria ver “Esposa de Mentirinha”, que tem até aquela loirinha que você adora! [1]
— Porra! Comédia romântica? Sério que você vai me fazer assistir isso?
— Ai, seu grosso! [4] Não precisa ver nada que você não queira não! Não precisa gastar seu precioso tempo no cinema comigo. [1, 3]
— Ah, eu não gosto muito de comédia romântica, você sabe!
— Você nem conhece o filme! Não precisa também… eu tou cansada, não precisamos ir no cinema não. [3]
— Tá bom! Tá bom… A gente pode ver isso sim… A gente pode se encontrar pra comer uma pizza e depois a gente vai assistir “Esposinha de mentira”
— “Esposa de mentirinha”
— Que seja!
— Nossa, como você tá rude hoje! [4] Se for pra ficar assim, nem precisa vir! [3]
— Tá bom, gata… desculpa, viu?
— Mas eu não queria comer pizza não… Vamos comer comida japonesa!
— De novo? A gente já comeu semana passada!
— Ah, mas eu estou com vontade! E pizza a gente já comeu semana passada também!
— Mas existem 734 sabores de pizza. E semana passada a gente foi no rodízio e comemos todos os temakis que existem!
— Ah, amor, mas comida japonesa vai te fazer melhor! É mas saudável! [1]
— E mais cara!
— Nossa! Não precisa gastar seu rico dinheirinho comigo não. [3]
— Ô saco! Não precisa levar tudo por esse sentido não… Tá bom, olha… a gente vai comer naquele restaurante japonês do shopping que é bacaninha e não é tão caro! Pode ser?
— [...] Hmmm… [...] Pode sim. Você passa aqui pra me pegar que horas?
— Errr… eu tava pensando que a gente podia se encontrar por lá…
— Ah não… é até melhor que você venha me pegar porque daí a gente foge do trânsito pela marginal [1]
— Mas eu vou ter que desviar meu caminho, amorzinho…
— Puxa! Não precisa vir se eu sou um estorvo tão grande! [3]
— Cacete!… Vamos fazer o seguinte então… Eu passo aí 7 da noite, ok?
— Tá! Beijos!
— Beijos… se eu me atrasar é porque…
Garota desliga. Você fica pensando como ela conseguiu mudar seu filme, seu jantar e seu percurso de forma tão fácil.
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PAULO HENRIQUE MARTINS

Programador, dançarino amador de rockabilly, piadista fracassado de Twitter (@paulovelho) e babaca profissional.

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