METROPOLIS: O FATOR MARIA

Posted by Carlos Miranda

METROPOLIS: O FATOR MARIA

dom, 13 de fevereiro, 2011
O filme Metropolis, de Fritz Lang, possui como lema "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!", mas essa aparente ingenuidade esconde o verdadeiro leitmotif do filme, que é a manipulação. A falsa-Maria foi usada pra incitar os trabalhadores à violência, para que assim possam ser facilmente controlados pela força (sem o apoio da opinião pública). Outra manipulação que ocorre é a de Maria com a elite de Metrópolis, despertando os sentimentos mais mesquinhos deles e fazendo-os brigarem entre si por ela e até mesmo se matarem. E ainda temos a manipulação do manipulador, pois enquanto o Criador de Metrópolis (Joh Fredersen) acha que está manipulando a todos com a falsa-Maria, está sendo manipulado pelo cientista, que era quem "movia as cordas da marionete" e queria ver a decadência da cidade e do poder do Criador.
Esse filme nos dá um retrato bem fiel das forças de manipulação as quais estamos submetidos. Por um lado temos o Estado, que é o Criador e provedor da nossa "Metrópolis". Temos também a elite, num jogo de influências que os leva a serem manipulados e manipuladores. No outro extremo temos o povo, que precisa trabalhar (e muito) não só pra sobreviver como pra sustentar a elite e o Estado, lá no topo da pirâmide social. E no meio disso está a tecnologia (as ciências, o materialismo, representado no filme como magia-negra por visar o egoísmo, a manipulação para o mal). É uma tecnologia que dialoga com os dois lados (alto e baixo) e que, se vocês viram minha palestra, reconhecerão essa tecnologia como a "mídia" (intermediário). E o que é nossa mídia senão um intermediário com interesses egoístas, a serviço de quem lhe garantir mais poder e status? Às vezes uma crítica é dirigida ao Estado ou às elites, outra vez um elogio, ao sabor dos intere$$es. Mas há uma tendência que transcende interesses imediatos, e cujo reflexo vemos nos mais diversos meios e países: a corrupção da sociedade. Basta ligar a TV e abrir os jornais para perceber o quanto a má conduta é valorizada, por vezes estimulada de forma ardilosa, travestida de crítica, ou minimizada com uma troça. Isso - aliado a um ensino com qualidade cada vez pior - vai transformando tanto a elite como os trabalhadores da nossa "Metropolis", de forma tão lenta que não percebemos quem na verdade "implantou" essas idéias em nossas cabeças, e a cada geração que passa vamos nos tornando mais e mais decadentes, mais e mais ignorantes, submissos ao poder e mas cada vez mais arredios aos nossos próprios amigos e familiares (a tal discórdia que Maria estava programada para causar), o que nos torna fracos como povo e manipuláveis como gado. E o verdadeiro rosto dessa mídia ninguém vê (assim como o cientista do filme), apenas podemos perceber sua criação (a falsa-Maria).
"Rotwang, pode colocar o rosto desta garota no Homem-Máquina... Quero semear a discórdia entre eles e ela, e destruir a fé que depositam nesta mulher"
(Joh Fredersen)
Líderes, como Obama e Lula, que parecem ter saído do povo e que parecem imbuídos de ideais que são o do povo, ao assumir o poder se mostram comprometidos tão-somente com os amigos e com os poderosos. Esses são criações das elites pra nos manter com uma falsa sensação de que estamos representados. Divisões de gênero, religião, classe social e educação são exploradas incessantemente pra tirar o foco dos verdadeiros problemas, buscando dividir/diluir opiniões e assim conquistar, como acontecia até então no Egito. E ainda acontece no Brasil. Mas Maria é muito mais do que isso, pois sua agenda vai além de segmentos, ela é uma "engenheira social", mudando paradigmas e a face da sociedade como um todo, de forma lenta e indiscriminada.
Temos um exemplo perfeito de uma Maria "completa" aqui mesmo, no Brasil. Por ironia do destino ela se chama mesmo Maria e em algum momento (após conquistar a confiança de toda uma geração de pais e adultos) ela passou e despejar diariamente na cabeças das crianças tudo o que não presta, como sensualizar precocemente meninas de 7 anos com Funk (e suas letras terríveis pra crianças) e axé (eu VI com meus próprios olhos uma "brincadeira" do programa dela onde uma menina de 5 a 7 anos com uma daquelas malhas de rapar... digo, dançarina de Axé era incentivada a "descer na boquinha da garrafa"). Parabéns, Maria (ou falsa-Maria?), a serviço das gravadoras você criou e nutriu uma geração de "cachorras" e futuras mães solteiras e homens que acham o máximo tratar mulher como "cachorras", "ordinárias" e com uma sexualidade baseada em "um tapinha não dói". Nossa Maria é o mais perfeito exemplo da Maria do Metropolis, pois depois de agir como a besta babilônica por tanto tempo a Maria verdadeira(?) conseguiu de alguma forma se libertar e hoje é vista como uma pessoa "do bem", cujo passado parece ter sido escrito por outra pessoa. Mas não é que eventualmente surgem umas recaídas? Hummm...
Entretanto a eterna "boneca-robô" a serviço da manipulação dos poderosos será sempre Marilyn Monroe, uma criação a serviço da lascividade (imagem que ela mesma tentou se desvencilhar depois de um infeliz casamento, mas que a mídia continuou a explorar) que depois foi usada por Edgar Hoover (e pela Máfia) contra os Kennedy, acabando ela mesma uma vítima das circunstâncias em uma morte misteriosa. No seu "clipe" mais famoso podemos ver a alimentação do estereótipo da loura burra mas coberta de jóias. Esse é o pai de diversos clipes que homenageiam diretamente essa cena e esse estereótipo, de "Material Girl" a "My humps":

No minuto 4:43 vemos que mulheres são usadas como candelabro. Uma bela "inception" visual da mulher-objeto, não acham?


Outro exemplo de "boneca-robô" é Madonna, que não esconde as raízes da criação do seu personagem. No clipe "Material Girl" é possível ver a homenagem (descarada) a Marilyn Monroe e uma mais discreta à falsa-Maria de Metropolis, na cena abaixo:

Em Metropolis essa é a cena em que a falsa-Maria surge como a representação da prostituta babilônica do Apocalipse
Beyonce, Kylie Minogue, Christina Aguilera e até Freddie Mercury (que se definiu como uma prostituta musical) já pagaram seu tributo a falsa-Maria de Metropolis (querem algo mais direto do que isso?). Mas existe uma pop-star determinada a superar todas elas em termos de intensidade, tributo e empenho na corrupção e manipulação em massa: Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga.


LADY GAGA
O nome que ela escolheu já é uma homenagem indireta a Metropolis, pois foi tirado do clipe Radio Ga ga, do Queen, que possui cenas do filme e, após um final trágico onde uma família morre, um dúbio "thanks to Metropolis" (sem falar que Freddie Mercury aparece com o rosto no robô). O título original da música era "Radio Caca", no sentido de "cocô" mesmo, pois a música era uma condenação às rádios que só tocavam porcaria, mas Freddie reescreveu a letra pra algo mais comercializável. Portanto Lady Gaga significa, em seu sentido mais obscuro, Senhorita cocô.
Esta foto é bem simbólica, pois além de mostrá-la como um manequim (uma boneca, como no seu logotipo) ela faz com as mãos só a metade INFERIOR do sinal do Baphomet, enquanto a outra pode tanto representar um Hamsa (que serve pra espantar mau-olhado) ou o caminho da mão esquerda. Pode também representar a credulidade, de acordo com o emblema de Andrea Alciati, publicado em 1549 no "Emblematum Liber":
Disse Epicarmo: "Nunca seja crédulo, nem deixe de ser sóbrio." Estes são os tendões e membros da mente humana. Eis a mão com um olho; ela só acredita no que vê. Eis a hortelã, a erva da sobriedade; Empunhando esta planta, Heráclito acalmou e encantou uma multidão enlouquecida que explodia em insubordinação. (fonte)
Seria um alerta de que ela não é o que parece?

"Dê-me 24 horas, e ninguém, Joh Fredersen, ninguém poderá distinguir o Homem-Máquina de um mortal qualquer!"
(Rotwang)
A falsa-Maria era quase indistinguível da original... a não ser por um detalhe: o olho. Além do olhar maligno, o olho esquerdo dela tem o tique (bug?) de ficar semicerrado na maior parte do tempo.

A da esquerda é a Maria verdadeira. Ah, e a falsa usa delineador! :)
Então a primeira falsa-Maria pop a prestar tributo a Metropolis (Madonna) foi também a primeira a focar no aspecto do olho: Em "Express Yourself", num cenário claramente inspirado em Metropolis, Madonna surge com um monóculo cobrindo o olho esquerdo, para depois tirar o casaco e revelar uma vestimenta que lembra a roupa robótica de Metropolis.

Coincidência demais pra ser ignorado
A partir daí os outros clones passaram a adotar o gesto, seja reproduzindo o monóculo com a mão, seja tapando um olho, sendo o mais famoso deles atualmente a Lady Gaga:

Lady Gaga, Christina Aguilera e Beyonce, entre outras (e outros!)
O logotipo da Lady Gaga (acima) também é revelador: um manequim de loja de boutique, atravessado por um raio (ou seja, movido a energia elétrica). Em outras palavras, um robô, uma boneca sem cérebro. Isso é claramente mostrado num dos interlúdios dos shows dela, intitulado BRAIN (Cérebro):
Tradução:
Homem: Escove, escove, escove bem, Candy. O que você pretende com isso?
Gaga: Tenho escovado por horas, só pra ter certeza de que se foi.
Homem: Eu posso dizer honestamente que você perdeu sua mente (trocadilho com "está louca", em inglês).
Gaga: Não, eu sei exatamente onde ela está.
Homem: Sério?
Gaga: Na barriga (ventre*) dele, é claro.
Homem: Ele deixou algo para trás.
Gaga: Uma máquina, o centro da cidade. Eu estava com medo a princípio - pensei. Pop comeu meu coração, e engoliu meu cérebro.
Homem: O que sobrou pra você pensar em viver?
Gaga: Eu pensei...
Homem: Você pensou...
Gaga: A Fama.
Esse é apenas um. Em outros dois temos ela falando como perdeu o coração e o rosto, para se tornar o que é hoje: uma máquina.
* Em Metropolis a máquina central, que abastece a cidade de energia, é comparada a Moloch (o "falso-deus" da Bíblia, amplamente adorado pelos fenícios). Moloch tinha cabeça de touro e corpo de homem, e os sacrifícios a ele (geralmente crianças) eram feitos com a vítima sendo jogada no "ventre da besta". No filme o sacrifício dos trabalhadores, muitos morrendo nas panes das máquinas ou de exaustão, é o sangue derramado em sacrifício a Moloch, o sacrifício pelo dinheiro dos poderosos.


CONCLUSÃO
Espero que estejam acompanhando meu raciocínio e percebendo que Madonna, Lady Gaga e seus clones não são o demônio como muitos sites sugerem, apenas pessoas que venderam sua alma em troca da fama, uma "atriz" cumprindo a função da falsa-Maria na vida real, ou seja, corromper/lobotomizar a sociedade (muito provavelmente em vistas a um projeto de controle mental inspirado pelo Monarch ou MK Ultra). E fazem isso tão claramente que se permitem soltar pistas de seu papel, só por diversão.
Eu não levo muito a sério essa conexão que fazem do mundo pop com os Illuminati por vários motivos. Não vejo como plausível esse negócio do olho ser o "Olho que tudo vê" (acaso esse olho usa rímel?) nem o "Olho de Hórus" (além de não parecer, todos os sites dizem que ele é "demoníaco", quando sabemos que não é). Os símbolos maçônicos aparecem no mundo pop, isso é inegável, mas não consigo imaginar uma conspiração maçônica em escala global (tipo Nova Ordem Mundial), como querem os sites. A escala e o escopo de tal organização seria impossível de gerenciar, sem falar que a mesquinharia de seus integrantes (na busca pelo poder indiscriminado) acabaria levando ao seu colapso interno. Nem sequer creio numa organização tipo "doctor evil" chamada "os Illuminati". Mas há indícios sim de haver, nos EUA, um grupo muito reduzido de pessoas que controlam economia, mídia e política, que usa a maçonaria e outros grupos fechados como ponto de contato entre eles (imagine uma cebola com várias camadas) e os níveis exteriores, para que quem executa o trabalho não tenha idéia dos interesses por trás da direção que eles fazem a sociedade tomar (o plano completo). É assim (creio eu) que os símbolos maçônicos (junto com coisas satanistas) aparecem na mídia, como um "boi de piranha" pra despistar os investigadores menos atentos. Enquanto pensarem que o demônio tomou o corpo da Lady Gaga é muito bom pro grupo que controla em silêncio não só ela como as emissoras de TV, os jornais, revistas, sites, etc, manipulando pessoas menos espalhafatosas pra propagar suas mensagens (e interesses) de forma sub-reptícia.
Não que os Illuminati não existam como figura psicológica (alguns usariam erroneamente o termo "arquétipo"). Pessoas que se encaixam no perfil de um grupo secreto que confabula para guiar os rumos da nossa vida por trás dos "líderes de fachada" existem aos montes, e podemos ver isso nas famílias, trabalhos, política, religião, etc. Só não acho que eles façam parte de um grande grupo central que remete aos Illuminati da Baviera, até porque cada um tem seus próprios interesses (que é sempre lascar os outros).
Infelizmente temos a péssima tendência a jogar toda a nossa incapacidade de mudar nosso futuro nos outros, como forma de consolo. É a sombra, que sempre são os outros, representada por uma maquinação mesquinha que nos prejudica no trabalho, nos negócios, na política, vinda de um grupo escondido em algum lugar, tramando contra nós. Na Grécia antiga tínhamos a luta contra as potestates. Na Idade Média tínhamos os demônios e bruxas pra ser o bode espiatório. Depois os maçons. Depois tivemos os judeus pra pagar o pato. No espíritismo temos sempre os "trevosos" pra culpar por qualquer deslize. Hoje temos os reptilianos e os Illuminati pra botar a culpa. Precisamos estar atentos às manipulações e não nos deixarmos levar por quem quer que seja, sem antes passar pelo crivo da razão, porque de um lado temos a dissolução planejada pela mídia de nossa base familiar, com novos "valores" sendo pregados como "cada um por si", "consuma sem pensar no amanhã" e degradação moral que nos afasta dos amigos, dos vizinhos, dos valores sociais, e do próprio respeito às leis que garantem um bem viver; A reação a isso é um radicalismo religioso ou esotérico que prega uma rejeição ao mundo e a quem faz parte do mundo e não pensa como você (os "eleitos" e os "perdidos"), que é também uma forma de aleijar nossa sociedade e facilitar o trabalho dos trevosos e dos grupos que pretendem nos controlar como gado.
Hey you
Don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall

(Hey you; Pink Floyd)

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